• ISSN 2596-1608
  • QUALIS C - Direito
  • Ano XLV    N. 33    ( 2020 )
  • Nossa capa (Alessandra Duarte/Adriano Alves) Primavera, de Alphonse Mucha – 1896. Da série: The Seasons (As Estações) - litografias coloridas – 103 x 54 cm – impressor: F. Champenois, Paris O Art Nouveau se caracteriza por usar muito as linhas curvas, ondulantes e dinâmicas, com especial atenção para as formas da natureza; e no qual predomina a opção pela assimetria. Na pintura e no desenho, um de seus expoentes foi Alphonse Mucha, cujo traço é o próprio espírito do estilo. Nascido na cidade de Ivancice, na Morávia (hoje, região da República Tcheca), em 24 de julho de 1860, Mucha se destacou muito em seu trabalho na produção de revistas, ilustrações de livros e cartazes de publicidade: boa parte de suas obras-primas foram feitas com esse fim. Em 1935 o jornal oficial soviético fez crítica a sua obra como voltada para agradar à burguesia; e seu patriotismo eslavo foi, muitas vezes, denunciado pela imprensa como “reacionário”, e, por isso, quando tropas alemãs entraram na Checoslováquia em 1939, ele foi preso pela Gestapo. Sua prisão e interrogatório o levaram a uma pneumonia da qual jamais se recuperou: morreu, por problemas pulmonares, no mesmo ano, em Praga, onde está enterrado. Sua arte se caracteriza, entre outras coisas, pela sua forma de representação da mulher: nunca ninguém representou a mulher com tanta delicadeza, feminilidade e sensualidade como Mucha – como se vê na pintura de nossa capa – captando, no entanto, sua força, personalidade e essência em cada situação representada, o que, por exemplo, diferencia, e tanto, a mesma musa – Sarah Bernardt – atuando em diferentes personagens como a Samaritana, Medéia e a Dama das Camélias. A escolha da obra Primavera para a capa da revista se deu não só por bem mostrar as características do Art Nouveau e da arte de Mucha, mas também porque era primavera em 30 de outubro, e o Art Nouveau estava em plena moda no Brasil em 1920, quando foi criado o Ministério Público Militar: faziam sucesso, por exemplo, a recém-reformada Confeitaria Colombo e as famosas casas Franklin, na Capital do Brasil, ambas nesse exuberante estilo de um tempo em que, mesmo no século XX, a beleza ainda era considerada importante na arte, antes de a arte se focar em perturbar e quebrar tabus e buscar, não mais a beleza, mas a originalidade por quaisquer meios e custo moral, em verdadeiro culto à feiura, como denunciou o saudoso filósofo Roger Scruton, que também nos lembrou que “estamos perdendo a beleza e existe o perigo de que, com isso, percamos o sentido da vida”; e que é verdadeiro o sentimento de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas como a liberdade, lei, segurança da propriedade e espírito público, dentre outras que ele cita. Em um tempo de crise, em que muitos valores estão em perigo, desejamos que, no bicentenário, possam o Ministério Público Militar e todo o MP brasileiro estar comemorando mais 100 anos de efetiva defesa das liberdades, de luta pelos anseios da Sociedade e de atuação para que todo o Poder continue emanando do Povo, como consta de nossa Constituição: Princípio inafastável e cuja efetividade é essencial para qualquer país poder se dizer democrático. Adriano Alves